domingo, 24 de outubro de 2010

A trupe da alegria

A trupe da alegria, com pesar, convida a todos a brindarem aos grandes poetas e trovadores do dia-a-dia.

Espere que faça sol e a chuva virá.
Espere uma enxurrada e a enchente virá.
Espere que a terra agüente e ela deslizará.
Espere uma rajada de vento e ela te levará.
Espere uma inundação e mudará para um abrigo.
Espere socorro e verá tudo “cair por água abaixo”.
Espere seus filhos e comparecerá ao funeral.
Espere entrevistas e verá seu rosto no noticiário.
Espere conforto e ganhará um sofá amarelo anêmico.
Espere alimentos e terá um guarda-chuva rasgado.
Espere que faça sol e a chuva virá.
Espere o governo e a vida te faltará.
Espere...
Espere o tempo decompor sua sujeira.
Espere o tempo reciclar os alumínios e pneus.
Espere o rio lavar a sujeira e tomará banho de cachoeira.
Espere o jantar e comerá peixe ao molho de garrafas plásticas.
Espere uma dieta rica em fibras e sentirá o gosto de dejetos.
Espere amanhecer gripado e vomitará.
Espere a cura e dormirá cansado.
Espere o animo e não levantará.
Espere viver e descansará.
Espere...
Esper...e.
Espe..r..e...
Esp..e..r..e...
Es...p...e...r...e...
E...s...p...e...r...e...
É assim a melhor maneira de viver.

Por : C.H.Pio

Estou postando porque o pio não está conseguindo.
Não escrevi nas calçadas os passos que dei
Nem tão pouco trilhei os caminhos apenas dos meus próprios pés
No nosso caminho sozinho nunca estamos sós
Nas três quadras para chegar abandonei o trajeto
Passei a galopear o vento quebrado
Quando cheguei até a estação ancorada
Soltaram pedras amarradas aos meus sapatos
A lista feita para o bote salva-vida
Diluiu-se junto às certezas passadas
Vida lavada. Pote quebrado.
Três goles de água. Uma boca suja, difamada.
Nem lembro como cheguei.
Fiz do fogo minha mão.
Acendi a vida para não deixá-la em vão.
Ah! Quantas tragadas!
Ah! Quantas futilidades enclausuradas!
O que aconteceu com as bolhas de sabão?



segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Alo !

Boa tarde, meu nome é Rafael sou amigo do Pio e vou de vez em quando postar aqui. Eu tenho blog também mas no meu eu postarei apenas poemas que eu faço sobre pessoas. Normalmente mulheres.

Vou postar esse poema aqui e não no meu blog.
(Tadinhos dos meus fiéis 3 leitores.. haha)

Aí vai.

A SESTA


Oh, que almoço!
Meu paladar o tempero aguça.
Do frango, cartilagem e osso.
Deixo pra depois a louça.

Para a rainha da casa,
a carne jogo no telhado.
Como menos agora,
pra partilhar com o gato.

(sorrio)

Cabeças voam no alpendre.
E eu sentado em meu sofá.
Pra direita meu corpo pende,
e o sono já vem ja.

Aos poucos me relaxo,
faço a sesta do dia.
Mão esquerda para baixo,
de encontro à Sarninha.
Nossa parceira,
melhor companhia.



Boa tarde pra todos, e boa dormida depois do almoço.

pensamento do dia

Hábtitos e gostos amarelam meus dentes

domingo, 17 de outubro de 2010

sábado, 16 de outubro de 2010

A linda história do magnífico Torquato

Torquato sabia que tudo estava relacionado ao sexo e a liberdade sexual por isso a sociedade se organizava, dividindo e unindo as pessoas, as mesmas que se embebedavam e maquiavam para forjar uma tentativa de sexo.
Para ele, todos os aspectos da vida em sociedade se deram através do sexo e não como afirmam ser por questões econômicas, religiosas e políticas. Tudo se resume em sexo e sexo resume tudo. Ele adorava falar que tudo, exatamente tudo, são coisas da vida e logo afirmava que tudo provém da vida e a vida provém de onde? Sexo; sem camisinha e no período fértil.
Torquato ainda não havia entrado na modinha bissexual e provavelmente não entraria por ser alguém bem moldado, marcado e dogmatizado pelo catolicismo, porém ele ainda não havia conhecido a Dani, ela mesma, a japonesinha-afro-latina, uma mistura estonteante de cores e tradições exaltadas em um só corpo.
Torquato, o magnífico Torquato, era alguém que se preocupava muito com a aparência e cuidava para que sua imagem fosse melhor do que realmente era. Ele possuía lindos traços masculinos, realmente masculinos, sem a tentativa de se tornar andrógeno (ultimamente ser homem e se enfeitar como mulher tem acumulado um grande número de seguidores). Possuía um nariz que assimetricamente terminava levemente apontado para sua bochecha direita (nesta época ele ainda não havia feito a cirurgia plástica que revolucionou sua vida); lindos dentes moldados por excelentes dentistas que transformaram dentes largos e grandes em dentes pequenos e quadrados cheios de brilho; olhos castanhos, nem puxado para mel nem para preto, simplesmente castanho; sobrancelhas lindas (talvez a parte mais bonita de seu corpo, além de seus pés que ainda não tinham sido descobertos pela professora de ballet)

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

que coisa... era alguma coisa

Eu fico aqui sentado sem ter o que fazer e me aparece algumas coisas interessantíssimas na cabeça.

Que coisa... era alguma coisa...o que é mesmo?
Eu acho que é seu celular. É mensagem dizendo que seu celular estava fora de área e o sinal estava te procurando... o sinal te procurava! Olha que coisa! Mandou até mensagem! Alguns gritam é a globalização. É a modernidade que chega para dizer que é tempo de mentes sem fronteiras... E depois ainda reclamam das invasões do MST!
Tá todo mundo achando bonito esse “sem fronteiras”, mas não entendem o que é ser sem fronteiras. Quem entende? Os grandes latifundiários e políticos do nosso querido Estado. Eles podem olhar em suas posses e dizer: _ preciso informatizar isso aqui, é necessário GPS! E logo conseguem uma graninha extra do Estado! Capataz com GPS. Ainda bem que “acabou” a escravidão! Viva Zumbi!
É tanta coisa que me atormenta! É a culpa é da padaria! Não, é do trigo que faz o pão! A culpa é de Jesus que multiplicou o pão! A culpa é do Paulinho! E Poço Fundo cresce... Tem casa popular, boca de fumo (cadê o brizola?), sindicatos, lojas de conveniência, exame de direção, igrejas novas, casa de cultura e história (Por que Poço Fundo chama isso?), biblioteca, sebo, cursinho, faz até aniversário (é uma festividade)... e EU AMO ESSE LUGAR!
Todas as pessoas estão apontando soluções para o mundo em que vivem, mas esquecem que antes de olhar o mundo deveriam olhar para dentro de si... é tanto big brother fora da tevê que o nosso zoológico ganha sentimento e isso passa, perde a graça, e voltamos pra tevê.
Precisamos de mais pastagens para mais cavalos e afins... Não, Pastagens Não. É dia do meio ambiente (eu penso que graça). Lá vai a foice. Não! Foice Não! Máquinas! Alguém grita mais forças aos camponeses. Alguém grita mais máquinas. Alguém grita empregos. E todos gritam alguma coisa! E quem ouve? _Lá vai à foice!

O que passava pela minha cabeça? Certamente não era o Brizola!

Ah, há uma última coisa: Vocês estão reparando que os cachorros das ruas, vira-latas, estão virando pit bulls? E já não temos mais denuncias contra os donos de pit bulls que passeavam com os cachorros nas coleiras? Que coisa... era alguma coisa...

milhos da misericórdia

Retire seus joelhos sobre os milhos da misericórdia,
Sua fé não é desculpa para seu fraco estado de ser
HUMANO,
saia de sua cega crença,
pois pregado na cruz não libertará a verdade que

ainda não conhece.

Procure suas chagas e cure-as.
Você deve sangrar e não vê,
Por isso apega-te aos caminhos mais fáceis e
A tua CEGUEIRA DIÁRIA.

Apego-me quando desespero.
Apego-me quando choro.
E os milhos são espalhados pelo chão.

tefolonemas

Tudo bão aí mãe?
_ Tudo, meu filho. Só estou um pouco cansada de tanto trabalhar. O dinheiro tá curto.
É, eu sei mãe.
_E como você está? Estudando bastante?
Não muito. Hoje, fui numas pedras ver o pôr do sol com uns amigos. Lindo o lugar. A senhora precisava escutar o eco que produz no topo das montanhas. Dava para ver umas cinco cidades à noite.

No subtexto da mãe: Fumou maconha.

_ É mesmo, meu filho. Juízo! Não vá se perder! E o que você fez no final de semana?
Fui para a roça de um amigo. Acampamos na beira do rio cercado por uma mata cheia de animais. Estamos querendo pesquisar o ecossistema do local.

No subtexto da mãe: Fumou maconha.

_Quando você vem?
Num sei. Vou para Carrancas no final de semana que vem.
_O que vai fazer lá?

No subtexto da mãe: Fumar maconha.

O curso de hotelaria vai conhecer as formas de hospedagem e também assessorar os moradores locais. Resolvi pegar uma carona.

No subtexto da mãe: Fumar maconha.

_Depois conversamos. Tchau. Fica com Deus.
Fique em paz, mãe. Tchau.

Não quero

Não quero mais o ontem
que tanto insisto em voltar
Não quero o amanhã
que tanto teimo em mensurar
Não quero os fios do poste
que atrapalha esse Luar
Não quero a menina da Janela
que me impede de alcançar
Não quero mais
Nem menos do que tenho em mãos
Nem sentir a dor de antemão
do que ainda nem aconteceu.
Não quero sentir o amor aos noventa
porém agora tambem não
nem telefonar a Rosa Cabarcas
e descobrir assim tão tarde
o sentimento dos que olham pra Lua
e que não a veem como satélite
Nem quero o astro rei queimando as costas
devaneios, tortura imposta
pelos pais que nunca tive.
Tão pouco quero os versos livres de Bandeira
ou as métricas impecáveis de Bilac
nem modernismo, nem parnasianismo
irão deter essa angustia de escrever
essa questão do ''não querer'' .

by xuxa (Eduardo Antonio Elias Lázaro)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Entre as palhas do conhecimento (agulha no palheiro)

Ao anoitecer, acompanhado de um cigarro de palha, fui regar minhas plantas. Minha companhia estava restrita aos meus apetrechos, as plantas e o luar. Sem ninguém para me vigiar, traguei a fumaça até ficar com as pernas descontroladas e aparentemente livre de pensamento. Que calma, pensei. Na hora, me lembrei das plantas de poderes que Castañeda relatou em algum de seus livros. (Poxa, que massa essa brisa). Como será que o fumo do meu cigarro de palha se tornou um papel branco com filtro, sem o gosto da planta e com cheiro de outra coisa?
Não sei responder a pergunta. Mas, é plausível que o significado do cigarro de papel está associado a outros hábitos diferentes da maneira de consumir o cigarro de palha e também dos modos de produção deste. As porções utilizadas para compor os cigarros e a quantidade de tragadas diferenciam entre si. Será que o efeito é o mesmo? (Não estou preocupado com o efeito em longo prazo no organismo) São eles coisas distintas ou será que estou procurando uma forma para justificar meu comportamento?
São tantas dúvidas que não sei por onde começar. Essa necessidade de explicações teóricas vale de alguma coisa? Nada traduz ou consegue induzir a sensação de se estar só consigo mesmo. Introspecção e extrospecção. Devolvam meu cigarro de palha. Cansei desse mundo que pensa que sabe pensar.

“12 Eu, o Eclesiastes, fui rei de Israel em Jerusalém. 13 Apliquei meu espírito a um estudo atencioso e à sábia observação de tudo o que se passa debaixo dos céus. Deus impôs aos homens essa ocupação ingrata. 14 Vi tudo o que se faz debaixo do sol, e eis: tudo vaidade e vento que passa.
15 O que está curvado não se pode endireitar, e o que falta não se pode calcular.
16 Eu disse comigo mesmo: “Eis que amontoei e acumulei mais sabedoria que todos que me precederam em Jerusalém. Porque meu espírito estudou muito a sabedoria e a ciência, 17 e apliquei o meu espírito ao discernimento da sabedoria, da loucura e da tolice. Mas cheguei à conclusão de que isso é também vento que passa. 18 Porque no acúmulo de sabedoria, acumula-se tristeza, e quem aumenta a ciência, aumenta a dor.” (ECLESIASTES, 1; 12 - 18)

O problema em ser humano é saber que tudo o que é inerente à espécie advém de uma construção intelectual que responde à necessidade de comunicação e interação destes animais. Tudo o que acreditamos existir é apenas uma resposta que oferecemos a nós mesmos para saciar nossas próprias dúvidas. É estranho pensar que nossos próprios pensamentos são intenções exteriorizadas com a finalidade de conseguir satisfação; toda intenção é voltada para a satisfação. Somos incompletos, no entanto nossa completude é adquirida quando utilizamos nossa própria incompletude para criar artifícios que nos completa. Talvez este fosse o paradoxo humano: criação de sua própria criação. Qualquer operação mental de qualquer referencial tomado, ao que nos parece, chega neste paradoxo.

(O fumo, como remédio, era usado juntamente com o alecrim para cicatrizar o cordão umbilical do recém-nascido)

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O que te trouxe até aqui?



O que te trouxe até aqui?
A dor das coisas que não foram vividas?
A fragilidade das coisas esquecidas?
A derrota nas lutas que não foram perdidas?

O que te trouxe até aqui?
A obrigação de ter que partir?
O medo de não saber como seguir?
A ganância do comprar e possuir?

O que te trouxe até aqui?
Não sabe? Esqueceu? Não viveu?
Desconhece? Perdeu? Morreu?
Aguardava viver e adormeceu.

O avesso cru

Durante muito tempo acreditei que o avesso era apenas a parte interna, talvez não desejada, de um objeto ou de alguma coisa. Estar ao avesso era contradizer as afirmações do senso comum. Foi daí que resolvi sair andando pela rua com a camiseta ao avesso. Cruzei Alfenas desfilando o orgulho de contradizer o que a maioria das pessoas acredita ser o certo. Por onde passei, despertei muitos olhares e a maioria deles era ofensiva ao meu comportamento (isso era bem normal e eu também faria o mesmo). Cheguei em casa. Pensei um pouco e decidi colocar a camisa do lado convencional. Andar com a camiseta ao avesso é notadamente um comportamento desajustado (louco) que causa um ponto de interrogação para a frágil capacidade de criação de símbolos. Se invertermos esta frágil capacidade, ao avesso, temos uma forte capacidade de criar padrões que não suportam os desajustes. O excessivo simbólico é habitualmente rejeitado.

Que porcaria eu to falando! Seria mais fácil dizer que a camiseta foi feita para usar com os desenhos para fora, não é mesmo, Larissa? Que mania é essa minha de complicar as coisas. Foi por isso que escolhi a palavra, avesso, para compor o significado do que proponho tratar no blog. Sou avesso à certeza. Invertendo: tenho como lado certo da camiseta a dúvida. Lembremos que no avesso do caule corre o alimento da planta, no avesso da imagem que o corpo transmite está o organismo que compete à sustentação da vida. Então toda esta merda que esboçamos é simplesmente para rabiscar no quadro negro que o avesso é também um constituinte da oposição e correlação certo/errado. Não há beleza que nunca foi feia nem tampouco feiúra que nunca foi bela. A beleza, a feiúra, o certo, o errado, o sábio, o louco, o doente e o sadio, todos estes conceitos, estão contidos no fabricante de camisetas, no produtor de sentidos avesso/face. Para que o mundo seja bonito é necessário vê-lo assim.

Sobre o cru, acho que não tenho muito que falar já que o cru é aquilo que julgamos não ter recebido algo que o distingue do cozido. O cru pode ser mudado a todo instante se possuirmos os meios para alterá-lo. Então o cru é a qualidade de estar pronto e ao mesmo tempo inacabado. Somos todos crus no oceano do universo simbólico. Somos seres humanos inacabados, crédulos e incrédulos que se movem entre dualidades.

Sai um dia para brincar e me ensinaram que brincar era coisa de criança.

Sai um dia para trabalhar e me ensinaram que o negócio era enriquecer.

Sai para ficar rico e me ensinaram que era necessário ficar milionário.

Voltei com as mãos vazias e com vontade de morar no mato.

(…)

Ainda existe muita escravidão e açoite.

Escravo que se rebelava ganhava corrente.

Pessoas que se calam consentem.